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Medicina Nuclear: Uma Aliada na Detecção de Doenças Cardiovasculares

Por Dra. Alice F. Viana

Dia 17 de maio, é comemorado o Dia Mundial da Hipertensão, data criada para conscientizar a população para a prevenção da doença e o tratamento adequado a fim de evitar o desenvolvimento de eventos cardiovasculares. As doenças circulatórias são a maior causa de morte no Brasil e no mundo: o acidente vascular cerebral (AVC) é a primeira e a doença isquêmica do coração a segunda. Apesar disto, a maioria das doenças cardiovasculares pode ser prevenida por meio da abordagem de fatores comportamentais de risco – como o uso de tabaco, dietas não saudáveis e obesidade, falta de atividade física e uso nocivo do álcool –, utilizando estratégias para a população em geral. Por isso a conscientização sobre hábitos de vida saudáveis é importante.

Para as pessoas com doenças cardiovasculares ou com alto risco cardiovascular (devido à presença de um ou mais fatores de risco como hipertensão, diabetes, hiperlipidemia ou doença já estabelecida) é fundamental o diagnóstico e tratamento precoce, por meio de serviços de aconselhamento ou manejo adequado de medicamentos.

A Medicina Nuclear é uma importante aliada na detecção e localização de doenças isquêmicas (coronariopatia obstrutiva) e infarto do miocárdio. Para isso se realiza exame de cintigrafia (também conhecida como SPECT – tomografia computadorizada por emissão de fóton único) de perfusão do miocárdio, um método não invasivo e com baixíssimo risco para o paciente

Doenças isquêmicas do coração também conhecida como doença coronariana é uma doença que afeta as artérias do coração. A circulação sanguínea fica comprometida devido a formação de placas de gordura na parede dos vasos provocando isquemia, que é a diminuição de nutrientes e oxigênio para os músculos do coração causando a angina (dor no peito) ou, em casos mais graves, levando ao infarto. As doenças isquêmicas do coração podem ser crônicas ou agudas. Na isquemia crônica, o paciente sente dores no peito ao realizar atividade física e melhora com o repouso. Já a isquemia aguda ocorre mesmo em repouso. Quando uma isquemia dura mais de 20 minutos pode ser um infarto.

Após um infarto agudo do miocárdio (IAM) a possibilidade de se distinguir entre lesões reversíveis e irreversíveis é de grande importância para se decidir o correto tratamento do paciente. A realização dos exames de imagem se dá principalmente na avaliação da extensão, localização e severidade da lesão, e dos riscos de eventos futuros. Estudos mostram que o radiofármaco 99mTc-sestamibi, utilizado na cintilografia miocárdica, tem sensibilidade e especificidade superiores a outros exames. Através dele se consegue identificar o fluxo sanguíneo alterado antes de haver anormalidades na parede cardíaca, detectáveis pela ecografia, e de aparecerem alterações no eletrocardiograma. A sensibilidade na detecção do IAM é de 100%, mesmo o exame sendo feito quando o paciente não apresenta mais sintomas. Apesar de ser um exame mais caro que o eletrocardiograma ou a ecografia cardíaca, devido a sua grande precisão diagnóstica, a cintilografia miocárdica é um método eficaz e muito utilizado.

 

Referência:

Sociedade Brasileira de Cardiologia http://prevencao.cardiol.br/doencas/doencas-isquemicas.asp