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Iodo e a Medicina Nuclear

Por Dra. Alice F. Viana

O iodo é uma substância química encontrada na natureza e consumida por seres humanos na forma de iodeto de potássio, ele é um dos componentes do sal de cozinha. Pequenas quantidades diárias de iodo são necessárias para o correto funcionamento da tireoide, pois os hormônios produzidos por esta glândula contêm iodo na sua composição.

A tireoide é uma glândula endócrina muito importante para o bom funcionamento do organismo. Os hormônios liberados por ela, T4 (tiroxina) e T3 (triiodotironina), são necessários para o desenvolvimento e funcionamento normal de todos os órgãos do corpo, como os tecidos cerebral e somático nos fetos e recém-nascidos e, em todas as idades, regula o metabolismo de proteínas, carboidratos e gorduras.

Os principais distúrbios da tireoide são o hipotireoidismo (baixa ou nenhuma produção de hormônios) e o hipertireoidismo (produção excessiva de hormônios). A tireoide também pode ser afetada por nódulos tireoidianos que podem ser benignos ou malignos (câncer).

Câncer da tireoide

É o mais comum da região da cabeça e pescoço e afeta três vezes mais as mulheres do que os homens.  Pela mais recente estimativa do INCA (2018), é o quinto tumor mais frequente em mulheres nas regiões Sudeste e Nordeste (sem considerar o câncer de pele não-melanoma).

Estimativas de novos casos: 13.780, sendo 1.830 homens e 11.950 mulheres (2020 – INCA).

Iodo radioativo

O iodeto de sódio (I-131) foi o primeiro radiofármaco amplamente disponível, sua comercialização começou em 1950. No Brasil, o Instituto de Energia Atômica (atual IPEN – Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) realizou os primeiros estudos em 1959 sobre o uso de radionuclídeos produzindo Iodo-131 para uso médico.

O iodo radioativo é captado pela glândula tireoide da mesma maneira que o iodo não radioativo, tendo a capacidade de se acumular nas suas células.  Quando administrado em baixa atividade ele é usado para o diagnóstico de doenças benignas e malignas dessa glândula, enquanto em alta atividade, é usado para tratamento dessas doenças.

Figura 1: A radiação gama emitida pelo iodo 131 é empregada no diagnóstico, cintilografia, para de doenças da tireoide.

Ele emite dois tipos de radiação: (a) radiação gama é usada no diagnóstico, exame de cintilografia (Figura 1) e (b) radiação beta, empregada na terapia de combate às eventuais células cancerígenas ainda presentes no corpo após a cirurgia de câncer de tireoide (Figura 2).

Figura 2: A radiação beta funciona como pequenas “bombas” que depois de entrarem nas células da tireoide destroem o DNA e causam morte celular.

As doses de radiação usadas para o tratamento são maiores que as usadas em exames diagnósticos. O iodo-131 possui meia-vida em torno de oito dias (tempo durante o qual persiste no organismo, embora sua quantidade vá decrescendo). Assim, o paciente que tomar o radiofármaco deve manter-se afastado de outras pessoas, especialmente crianças e mulheres grávidas, pois qualquer um que esteja por perto ou em contato prolongado com o paciente estará exposto desnecessariamente à radiação.